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A felicidade em cada criança


Este texto é dirigido aos pais mas na verdade, diz respeito a todos os que estão comprometidos com a arte de Educar.


Que os pais possam cada vez mais ver, ouvir e validar o que as crianças dizem, sentem e fazem, nutrientes essenciais à sua autoestima e amor-próprio que tanta falta tem feito a todas as gerações anteriores, talvez deixássemos de passar vidas atrás da validação dos outros e com medo do julgamento,… Validar não é concordar mas reconhecer que o que o outro sente tem valor.


Que os pais possam sair as vezes necessárias do lugar de inflexibilidade e possam ser exemplo de que na vida, a flexibilidade será sempre uma grande companheira e aliada, principalmente nos momentos mais desafiantes e no relacionamento com os outros. Que não tem mal que a nossa “verdade” de outrora possa ser posta em causa para dar lugar ou outras “verdades” que nos façam mais sentido e sejam mais saudáveis, pois no universo tudo está em constante movimento e expansão. A flexibilidade permite-nos estar recetivos a novas perspetivas e a vida torna-se muito mais rica quando assim é vivida.


Que os pais deixem de impor “as obrigações” e possam instruir que a vida é feita de compromissos que precisam de ser respeitados e honrados, o quanto é importante fazer a nossa parte porque, de alguma forma, ela contribui positivamente para nós próprios e para o TODO da qual fazemos parte. Todos somos importantes no lugar onde a vida nos convida a estar. Não só para aprendermos mas também para ensinarmos.


Que os pais possam ser exemplo que a vida é feita de tanto, compromissos sim mas também de dança, música, arte, prazer…. Que possamos sentir prazer em tudo o que fazemos, que legado tão importante.


Que os pais possam partilhar que o maior compromisso é com nós próprios e com a nossa alma, que estejamos atentos aos sintomas do nosso corpo, este maravilhoso veículo, que não anda sem “gasolina” e quando ele anda por muito tempo em esforço, acaba por se fragilizar e pode desenvolver vários tipos de doenças. Nada está acima disso. Que saibamos parar quando sentimos que estamos em esforço, que parar não é sermos preguiçosos mas cuidarmos e honrarmos a nossa vida.


Que possamos ensinar o respeito por si mesmos, e a serem fieis ao seu sentir.


Que errar ou falhar faz parte da vida e isso não nos define mas pode-se transformar numa alavanca para chegarmos mais longe, talvez mudando a forma como as coisas aconteceram ou esperando outro momento,...


Que os pais possam partilhar e sentir que somos merecedores de abundância, que crenças como, “não se pode ter tudo”, só nos faz boicotar /bloquear mais tarde, partes da nossa vida.


Que os pais possam se desapegar da preocupação com o que os outros vão pensar e assumir que a alegria de viver não começa a tentar colocar tudo em caixas e em dogmas restritivos.


E que tudo isto possibilite relacionamentos consigo próprios e com os outros mais saudáveis.


Que a violência é gerada por emoções reprimidas. Ao não sabermos gerir as nossas próprias emoções, não permitimos que as crianças aprendam a gerir as delas. Que educar pelo medo, por expetativas idealistas, ou sob o que a sociedade espera de nós só nos tornará em seres humanos fragmentados, tristes, nervosos,…e que a vulnerabilidade não é sinal de fraqueza mas de coragem. Permitirmo-nos ser vulneráveis (meninos e meninas) com alguém em quem confiamos permite-nos ficar em paz com os acontecimentos e quando há paz não há lugar para a agressão.


A maioria das vezes o comportamento da criança é apenas um sintoma de algo que não está bem e em equilíbrio no seu sistema familiar.


Que os pais possam libertar-se a si próprios, “domesticando” menos as crianças e permitindo que a luz da sua alma possa brilhar e expressar-se com todo o seu potencial.


Que os pais se conectem com a sua própria essência e ajudem os filhos a ouvir, confiar e a seguir a sua intuição, ela será um dos seus bens mais preciosos ao longo da sua vida, e a voz da "razão"..... .


Que os pais nunca se esqueçam que muitas vezes é a sua criança ferida que lida com a criança à sua frente e que a criança à sua frente irá acompanhar e fazer-se sentir por toda a vida do seu filho.


Que possamos partilhar que os maiores valores da vida são gratuitos e está ao alcance de todos: O sorriso, o abraço, a presença, a empatia, a compaixão…


Sejamos guardiões destas almas lindas, muitas vezes verdadeiros mestres e facilitadores do nosso próprio crescimento e evolução.


Que possamos ensiná-las a voar para serem felizes, seja qual for o caminho que escolham trilhar…


Educamos pelo exemplo, educamos pelo que SOMOS.


Um brinde a este dia, à nossa criança interior e a todas as crianças do Planeta!!

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