Superar o Desgaste

O desgaste enorme que os pais sentem, em especial as mães, traduz-se na crescente dificuldade em se relacionarem com os filhos, na sua incapacidade de gerirem os conflitos, e na suposta falta de tempo para cuidarem de si mesmos, permanecendo dia-após dia numa posição de resistência, lutando com todas as suas forças contra um remoinho, sem conseguir um resultado diferente. Apenas a tentar manter a cabeça às tona para não serem engolidos de uma vez por todas.

Há casos onde se sente maior intensidade deste processo e casos onde o problema tem a mesma raiz, apenas muda a intensidade.

Em qualquer um dos casos, quando me estão a relatar estas situações, acabo por reflectir sobre o quanto esta minha escolha de enveredar pelo auto-conhecimento (muitos anos antes de sequer ter filhos) e de ter vindo a adquirir e a desenvolver uma série de ferramentas e técnicas que me ajudam a lidar e a superar os conflitos de uma forma mais rápida e a permitir-me manter-me fora do remoinho, mesmo que por vezes, ainda sinta a força das suas correntes.

Sim, porque por vezes ainda me zango, ainda grito, ainda tenho momentos de me sentir sem um pingo de energia que acaba por condicionar e muito a forma como me relaciono comigo e com todos à minha volta.

Todo este caminho percorrido repleto de vales, penhascos e autênticas cordilheiras, ajudou-me a ter hoje uma visão sobre a educação mais ampla, profunda e holística. Vejo e sinto que toda a minha experiência de vida e também de tudo o que estudei e li, tem-me conduzido a relacionamentos mais saudáveis, na relação comigo mesma e na relação com os outros.

Basta eu ter uns minutos, consigo renovar a minha energia e a energia do ambiente e isso ajuda-nos a todos a ficarmos menos agitados e mais tranquilos.

No que respeita à educação dos meus filhos, o meu foco é a relação em si, o cuidar, o nutrir e a consciência de que educo pelo exemplo. O meu foco não é o comportamento, não é a minha ansiedade, o meu medo, as minhas expectativas, a minha necessidade de controlo, mesmo que por vezes eu as sinta de alguma forma… e isso faz muita diferença nos nossos relacionamentos.

Quando estou perante uma situação que me faz sentir irritada, identifico e observo primeiro a minha irritação, depois imagino que tenho uma fechadura e rodo a chaves da resistência (porque tudo o que resiste, persiste) para a receptividade. E pergunto o que esta realmente a acontecer? O que é importante neste momento? O que é que eles estão a revelar através do seu comportamento? Basta rodar a chaves e automaticamente deixo de dar a mesma importância, muitas vezes começo a brincar com eles e consigo com que o seu foco também se altere e tudo fica mais calmo e sereno.

Um dia a vida mostrou-me o seu verdadeiro valor e essa aprendizagem, trago-a diariamente, para tudo o que faço.

E mesmo quando as minhas sombras ganham a melhor, sinto muita auto-compaixão por não conseguir mesmo fazer diferente e isso liberta-me de sentimentos que há uns anos atrás me invadiam constantemente,como a culpa e a vitimização.

E há algo que devemos ter em mente: a educação, especialmente na infância, é um tempo de semear e não de colher. Nós só vamos colher verdadeiramente o que semeamos na idade adulta dos nossos filhos, ou seja, só vamos poder assistir ao resultado do nosso contributo (porque a educação dos pais embora primordial não é a única coisa que influência os nossos filhos) quando os mesmos já tiverem o seu cérebro e toda a sua estrutura interna desenvolvida e através da forma como eles se relacionam consigo mesmos e com a vida. E tudo o que é querer colher muito antes de tempo e de uma forma muito forçada, é contra-natura. Por exemplo, mais importante do que querer e esperar que os nossos filhos se portem de acordo com o que a sociedade espera deles é perceber o porquê do seu comportamento, quais a suas verdadeiras necessidades. E através do nosso exemplo e de uma comunicação autêntica e aberta, transmitirmos os valores que realmente consideramos importantes. Não gastar tanta energia com a imagem ou com o que os outros pensam mas investir mais e abraçar com amor e entrega uma das maiores causas da nossa vida: A arte de educar, orientar e semear para que essas sementes floresçam e possam dar frutos. Tudo a seu tempo.

A Educação é sem dúvida um convite para o auto-conhecimento e evolução. Estejamos atentos, receptivos à transformação e gratos pelo Amor que cada filho nos faz sentir. E permitam-se mergulhar em mundos diferentes do seu e desfrutar disso porque cada ser é um mundo próprio, apesar de tudo o que nos une. E estaremos a ensinar uma das habilidades mais humanas e importantes: a empatia.




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